Rio -  O lema do Grito dos Excluídos de 2012, a ser celebrado a 7 de setembro pelos movimentos sociais em várias cidades do Brasil, dá título a este artigo. Promovido pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), o Grito resgata o verdadeiro sentido de independência brasileira.


Em tese, a democracia seria o governo do povo para o povo, do Estado a serviço da nação. A realidade não confirma o ideal. Se o povo se autogovernasse, não passaria fome, não admitiria sobreviver na pobreza, não condenaria seus filhos ao desemprego nem permitiria que uma elite acumulasse fortunas. Pela vontade do povo, todos teriam acesso a alimentação farta e saudável, educação gratuita e qualificada, serviços de saúde eficientes.



Quem governa o povo em nome do povo? No capitalismo, os que dispõem de amplos recursos financeiros. Vide o custo de uma campanha eleitoral.



Você vota, mas quem escolhe os candidatos que merecem o seu voto? E com quem eles se comprometem de fato, com os anseios dos eleitores ou os interesses econômicos das fontes financiadoras de campanha? Há exceções, mas são raras e limitadas em seu poder de influir por contrariar anseios poderosos.



Estamos muito distantes da democracia participativa, na qual haveria mecanismos para promover a interação entre sociedade civil e mundo político, e assegurar transparência na atuação dos políticos e das instituições do serviço público.



Precisamos adequar teoria e prática. A 7 de setembro os movimentos sociais farão em público este apelo. E a 7 de outubro nós, eleitores, temos a chance de dar um passo significativo nesse rumo, votando no direito de o povo ser governado pelo povo.

Frei Betto é escritor, autor de ‘Calendário do Poder’